29 de set. de 2010

MOVIMENTE-SE

Padarias, mercados, pizzarias, farmácias, bancos, empresas de tecnologia, entre tantas outras são empreendimentos que fazem parte do nosso cotidiano e necessitamos desses serviços operados por profissionais para que muitas coisas rotineiras sejam realizadas com agilidade e sucesso. Não importa se são micro ou macro empresas, mas a idéia dos empreendedores é de fato buscarem inovação ou no mínimo prestarem serviços triviais com a busca de excelência na qualidade para que tenham sempre clientela fixa e potencialmente ativa fazendo o negócio girar.
Curiosamente apesar de estarmos cercada de tantas empresas, na maioria das vezes temos uma idéia fictícia e fantasiosa do que é ser um empreendedor, e eu juntamente com meu grupo, temos entendido o quão difícil é executar essa função.
Criar, construir e planejar uma empresa tem sido um grande desafio. Muitas idéias surgem, mas quando fazemos uma análise real de mercado percebemos que a busca de um negócio inovador e criativo torna-se muito mais difícil do que aparenta ser. Isso teve início com nossa primeira idéia, que resumidamente tratava-se de um negócio do qual ofereceríamos serviços da área de educação física a comunidades carentes obtendo subsídios governamentais. Logicamente, qualquer empreendimento é trabalhoso, mas esbarramos muito precocemente em várias dificuldades que esse negócio nos traria, contando que as exigências legais e as dificuldades operacionais eram imensas, resolvemos mudar de atuação.
Entenda que essa descrição não se trata de uma abertura de empresa real, mas de um estudo de plano de negócio.
Sabemos que muitos negócios são viáveis, dependendo de quão disponível somos, seja em trabalho ou financeiramente, mas como aqui o nosso projeto, tem que ser posto em prática, mas é tratado de maneira fictícia, buscamos outro ramo de atividade que possivelmente fosse mais acessível a todas as pesquisas que seriam realizadas, e a toda preparação. Nosso grupo manteve desde o início uma busca incessante por algo real, ou bem próximo dela. Consideramos muitos fatores, principalmente a questão de que partimos de um ponto quase zero financeiro. Buscamos enxergar no nosso mercado, um problema real que faria do nosso negócio no mínimo atrativo e por fim buscamos nos certificar da viabilidade desse empreendimento, realizando muitas pesquisas de campo.
A Movimente-se é uma empresa de macro captação que atua nas escolas para promover os horários de pouca frequência das academias. Inicialmente nos valemos desse ponto da diminuição de frequência nos períodos do final da manhã e tarde como um problema real do mercado das academias, já que seu público alvo geralmente utilizam do período matutino e noturno para realizarem suas atividades físicas. Ao percebermos essa lacuna, tentamos buscar um espaço do qual encontraríamos público alvo que teriam essa disponibilidade de horário. Considerando que esse período, na maioria dos casos são das pessoas que estão fora do mercado de trabalho tradicional (horário comercial), acreditamos que a escola seria um bom nicho, já que a juventude é um publico em potencial.
Dentre outros detalhes que pensamos, a idéia foi se solidificando e passamos a buscar respaldos no mercado real para saber o quanto isso era viável. Meu primeiro passo foi conversar com pessoas que trabalham nas escolas, para entender o quanto essa divulgação é válida. Depois eu iniciei uma busca com as empresas de macro captação tanto dentro da capital paulista, como também no interior. Essas empresas não atuam na área esportiva, mas fazem a macro captação para escolas de informática, inglês, entre outras e puderam nos passar de forma clara e objetiva muitos detalhes operacionais e também nos esclarecer as problemáticas, para que tivéssemos consciência do trabalho e dos acertos que faríamos. Por fim, buscamos a pesquisa nas academias. Eu e o grupo procuramos diversos espaços, com características e portes distintos para entender a viabilidade do nosso empreendimento. Também colhetamos valores e buscamos esclarecer todas as possíveis situações operacionais.
Sendo assim a empresa estava definida. Ficticiamente montamos operações, cargos e balanços financeiros considerando sempre valores reais e possibilidades existentes no mercado para realmente concretizar se a Movimente-se seria minimamente rentável.
Confesso que a parte mais interessante e surpreendentemente fácil foi a pesquisa de campo. Desde o momento que fui em busca de conhecimento dos três segmentos: escola, macro captação e academias tive sucesso imediato. Consegui colher todas as informações necessárias com certa facilidade. Mesmo sem conhecer as pessoas, achei bem interessante a disposição que os empreendedores tem em colaborar com projetos universitários, já que essa foi minha estratégia para adquirir informações preciosas, como por exemplo, dados financeiros.
A parte mais difícil foi a financeira. Fazer acertos de balanços e detalhar cada custo da empresa e receita foi bem complicado. Mas no final acabamos surpreendidos positivamente.
A Movimente-se apenas iniciou sua caminhada, e tenho consciência que a vunerabilidade do mercado dificulta muito as coisas, mas confesso que tenho aprendido muito e acredito verdadeiramente no potencial da nossa empresa, que com acertos, pode até vir a sair do papél e se tornar um empreendimento de sucesso.

12 de jun. de 2010

Prova? Não...O resumo de tudo que se compreende!

Foto Rogério Reis – Exposição Na Lona – Rio de Janeiro, Brasil

Dentre tantas imagens que vi, que falam tantas coisas e representam das mais cômicas as mais profundas realidades ou não, encaixei meus pensamentos ao ver a fotografia acima. Rogério Reis, brasileiro, fotografou durante quatorze anos carnavalescos anônimos, para eternizá-los num fundo de lona.
Quatorze anos é muito tempo, e com certeza muitas coisas foram vistas, mas essa fotografia estática hoje, não é estática porque é vida e é vida, vivências, experiências o que eu tenho aprendido a fazer neste pequeno e tão veloz semestre.
E uma das vivências mais marcantes para mim, foi a experiência da cultura corporal do movimento. Mauss (1974) juntamente com Daolio (1995) me fez compreender a importância da antropologia na educação física. Quando falamos em educação física, falamos de gente, gente essa que é um todo, e a antropologia é o estudo do homem, mas que vai além disso, propondo ao cientista a experimentação. O menino da foto assim como eu, se vestiu de palhaço, por motivos e em tempos diferentes, mas utilizamos da experimentação da mascarada. A personificação temporária, a entrada em um jogo que descaracteriza seus padrões sociais, é a quebra de valores, e a quebra comportamental que me levou em pouco mais de duas horas de experiência a sensações nunca vividas. Daolio (1995, p.39-40) “O homem, por meio do seu corpo, vai assimilando e se apropriando dos valores, normas e costumes sociais num processo de inCORPOração (a palavra e significativa). Diz-se corretamente que um indivíduo incorpora algum novo comportamento ao conjunto de seus atos ou uma nova palavra ao seu repertório cognitivo. Mais do que um aprendizado intelectual, o indivíduo adquiri um conteúdo cultural. Em outros termos, o homem aprende a cultura por meio do seu corpo”.
Dizer o que os personagens da foto viveram naquele dia de carnaval não cabe a mim, até porque são personagens anônimos, mas compreendo que perceber como nosso corpo reagiu nas mais distintas vivências, é entender que o corpo está dentro de um mundo interligado, não mecânico (Prigogine, 1991), não físico, mas de um corpo tão complexo, que está dentro de uma sociedade, que está dentro de uma cultura e que está dentro de um mundo composto por diversidades.
Freire (1991, p. 53) “...Existe uma tendência para esquecer que o conjunto da ciência esta ligado a cultura humana em geral, e que as descobertas científicas mesmo as que num dado momento parecem as mais avançadas, esotéricas e difíceis de compreender, são despidas de significação fora do seu contexto cultural.” . Entender o porque das experiências, é entender o porque da educação física. Sair do estático e movimentar-se é o que precisamos compreender como forma de estudo e aprendizagem. Tudo o que Viviane Mosé fala no programa Café folosófico, e tudo que aprendemos de experiências corresponde ao que o Daolio (2005) fala em "formar-em-ação", que é a formação verdadeira de um indíviduo e que não se limita a quatro paredes, mas que se estende para uma vida, pois é nesse contexto que buscamos sair apenas do procedimental, mas adentramos no conceitual para ter o entendimento e mobilizamos o atitudinal, trazendo transformação e quebrando paradigmas (Darido, 2007).
Na foto, apesar de não haver movimento corporal de dança, sabe-se que por ser um momento de carnaval, de lazer, já que "o ócio é uma arte" (De Masi, 2000, p.316) a dança faz parte do contexto dessa festividade.  A dança é sólida dentro da educação física, mas dança vai muito além dessas linhas, já que é a representação das culturas, é o movimento de todo seu ser, sendo expresso através do corpo da maneira que for, com ritmos mais precisos dentro de coreografias, ou na livre e lúdica expressão de colocar para fora o que se sente e o que se pode (como o grupo de deficientes mentais do projeto sentir - documentário) pois como diz Bogéa (2007, p.54) “O corpo se comunica por movimentos, sons e palavras, que expressam um saber”.
A dança está implicitamente presente nesta fotografia, assim como a luta, mas não uma luta de movimentos com socos ou chutes. Somos um povo com tantas distinções salientada também de forma econômica, mas que permite em um momento lúdico a guerra pelos mesmos direitos, o direito de festejar, de se entregar com o corpo para um momento de ludicidade. No carnaval, esses personagens terão um tempo e um espaço definido, passaram por um ritual -como a caracterização-, lutaram durante toda uma preparação e lutarão no momento do desfile, do qual armas surpresas podem aparecer, do qual a imprevisibilidade pode ajudar. A vontade e a liberdade está presente, mas a tensão também. A festa é bela, e no caso de alguns exemplos de festividades a luta entre blocos podem existir, mas num carnaval não midiático, a luta da simples permissão para o uso de um  mesmo espaço de um carnaval esteriotipado também está presente (Huizinga, 2004). A luta, o jogo, o lúdico estão presente implicitamente nessa foto, seja como um jogo de guerra, seja como um jogo lúdico da vida, assim como diz Huizinga (2004, p. 13) " O jogo lança sobre nós um feitiço: é "fascinante", "cativante". Esta cheio de duas qualidades mais nobres que somos capazes de ver nas coisas: o ritmo e a harmonia". A luta e o desejo de vencer está cravado no ser humano, não importando se é uma simples brincadeira como um jogo de damas, xadrez, se é dentro de um esporte olímpico de alto rendimento, se é na luta entre tribos indígenas, ou no direito de se sentir incluso em uma sociedade que é marcada pelas divisões e descriminação, por isso cabe também aos professores, sejam de educação física ou não, fazerem o papél de integração, assim como os professores personagens dos filmes " Entre os Muros da escola", "Escritores da Liberdade" e "Vem dançar" que utilizam da ferramenta de aproximação e interação com e dos alunos para transformar suas vidas. Essas características fazem parte também de um tipo de jogo: o cooperativo. Os jogos cooperativos tem algumas intenções como diz Brotto (2002, p.40) “Ética Cooperativa: con-tato, respeito mútuo, confiança, liberdade, re-creação, diálogo, paz-ciência, entusiasmo e continuidade" . E esse trabalho dos jogos cooperativos, leva para a vida a compreensão da cooperatividade e principalmente da não exclusão, fator que aparece também implicitamente na fotografia de Rogério Reis da qual ao utilizar pessoas anônimas, provavelmente desfavorecidos economicamente (previsão da qual eu posso estar errada, já que desconheco a origem da fotografia) tem o prazer de interagir, já que o carnaval e o desejo de fazer parte dessa festividade é livre, e convida a todos, e o fotógrafo se vale de alguns em meio a uma multidão, tornando-os protagonistas.
A fotografia também me leva a uma outra percepção: a improvisação. Apesar da imagem ser preto e branco e não mostrar a mulher de forma inteira, a impressão que tenho é que as roupas não são fantasias profissionais, mas talvés improvisadas, talvés costuradas pela própria mulher, de forma simples, mas que mostra claramente seu significado. A arte de fazer as roupas, de improvisar, também é presente na educação física, já que é necessário criatividade a todo momento, seja para saber constituir uma aula recreativa que se adequa as necessidades de cada aluno (Queiroz, 1998), seja para adequar nos materiais como nas aula de skate, le parkour, ou até mesmo na criatividade da maravilhosa forma de introduzir a ginástica na vida das pessoas quebrando todos os conceitos e pré-conceitos que se tenha sobre o assunto. A improvisação e a criatividade são particularidades exclusivas do ser humano, assim como diz  Mello (2003, p. 29) “Mesmo numa época tão automatizada, a máquina não consegue realizar coisas que são especificamente humanas – o brincar, o simular, o divertir-se, o fantasiar; quando essas particularidades desaparecem, o homem perde marcas fundamentais de sua singularidade”. E com certeza, essa foto, também desperta através da criança, que vestido de forma tão bela e graciosa e que provavelmente nem compreendia a festividade do carnaval, a vontade de brincar, de ser criança, como fizemos nas brincadeiras infantis (Pieter Brughel) e também em muitos momentos na visitação a exposição do Hélio Oiticica, do qual interagíamos com as obras que nos levava ao ludicismo intenso, fazendo-nos sair de nós mesmos e trascender para um momento que nos remetia para um passado, porém hoje.
Essa fotografia tão peculiar mas ao mesmo tempo tão comum, já que é nossa cara, nosso povo, me leva a tentar vê-la como é, mas isso é impossível já que tudo o que posso fazer vendo-a assim, estampada como uma fotografia é tentar deduzir, ou supor a respeito desses personagens que agora eu os conheço, mas o que posso garantir é que por traz dessa imagem existe a verdade da vida dessas pessoas que por algum momento, em algum dia, passaram pelas lente desse fotógrafo.
Acredito também que mais importante talvez do que conhecer esses personagens é conseguir transpor dentro dos mais diversos assuntos, características da educação física, já que hoje e cada vez mais tenho a convicção e o respaldo de que educação física não se limita ao corpo físico, ao esporte, a luta ou a qualquer coisa que a caracterize, mas que educação física é corpo todo, e corpo todo é vida.

Bibliografia:
MAUSS, Marcel. Sociologia e Antropologia, E.P.U, EDUSP, São Paulo, 1974, vol. 1.
DAOLIO, Jocimar. Da cultura do corpo. Editora: Papirus, Campinas, 1995, 108 p.
FREIRE, João B. - De corpo e alma: O discurso da motricidade. Editora: Summus, São Paulo, 1991, 3º ed.
DARIDO, Suraya C. - Para ensinar educação física: Possibilidade de intervenção na escola. Editora: Papirus, Campinas, 2007, p.341.
PRIGOGINE, Ilya e STENGÉRS Isabelle. A nova aliança: metamorfose da ciência. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 1991. STEVEN, J., Interface Culture.
BOGÉA, Inês. Um Início do que virá - IN: BERTAZZO, Ivaldo. Espaço e corpo guia de reeducação do movimento, SESCSP, São Paulo, 2007, 235 p.
HUIZINGA, Johan. Homo Ludens: O jogo como elemento da cultura. Editora: Perspectiva, São Paulo, 2004, 5º ed. 256 p.
BROTTO, Fábio O. - Jogos cooperativos: O jogo e o esporte como um exercício de convivência. Santos: Projeto Cooperação, São Paulo, 2002.
QUEIROZ, Claudia Alexandre. Recreação Aquática. Editora: Sprint, Rio de Janeiro, 2000.
MELLO, Miriam M. de. O lúdico e o processo de humanização – IN: MARCELLINO, Nelson C. Lúdico, educação e educação física, editora: Unijuí, Ijuí, 2003, 2º ed., 230 p.
BRUEGHEL, Pieter - Obra: Jogos Infantis, 1560.













6 de jun. de 2010

saltar, equilibrar, rolar... Isso é ginástica e também le parkour

Sempre gostei de fazer atividades físicas e logicamente isso contribuiu para a escolha do curso de educação física. Já fiz iniciação a Ginástica Artística (antiga olímpica) na infância, já joguei no time de handebol da escola, já fiz natação, academia, enfim. Mas o curioso é que o fato de eu ter praticado essas coisas não fez com que eu compreendesse muito dos seus significados, ou seja, é a questão apenas do procedimental (fazer) e nunca do atitudinal, tampouco do conceitual (Darido, 2007).
Essa semana tive a experiência de fazer uma ginástica diferente de tudo que já havia feito nas academias, uma ginástica lúdica da qual a sensação era que eu estava brincando com meu corpo e com os corpos dos outros alunos. Foi uma ginástica que eu gostaria que todos pudessem experimentar, tamanho o prazer em fazê-la, além da interação direta, do toque nos outros corpos, das trocas de informações. A ginástica que nos foi apresentada era inicialmente brincadeiras como, em uma banco de madeira estreito tinhamos que nos organizar em ordem de tamanho sem descer do banco, passando um entre o outro e protegendo os companheiros para que também não caíssem, ou ser jogado como um boneco de vento que caí de uma lado para outro, ou ainda nos organizarmos em grupo para seguir regras de como o grupo poderia se manter com dois ou três pés no chão quando éramos em dez, e assim tinhamos que plantar bananeira ou deitar, ou ajoelhar para cumprir o que o jogo propunha, enfim. Experiência que trouxe muito prazer, mas que depois de executada, nos foi apresentada surpreendentemente como atividades de iniciação a ginástica acrobática. Logicamente eram movimentos muitos simples e limitados comparados as grandes acrobacias de grupos profissionais, porém trabalhou em nós questões fundamentais como a confiança um no outro, já que dependíamos um do outro para executar as atividades, ou formação de figuras que fazíamos ao improvisar como agir em determinada tarefa, ou ainda a percepção de que alguns tinham mais medo de ousar e mantinham-se sempre no chão, enquanto outros se propuseram a ser colocados no alto, podendo ser analizado que, por exemplo, em uma formação de pirâmide humana, alguns servem para ser base e outros para subirem, além de toda interação e magia que fizeram parte das atividades naquele momento.
Foi uma percepção totalmente nova da ginástica, que eu mesma via limitadamente como movimentos de alongamento, por exemplo. Além de que são situações simples que exigem poucos equipamentos e que pode ser aplicado -com segurança- nas escolas ou em academias e com certeza, a visão sobre ginástica seria transformada totalmente, assim como aconteceu comigo.
Além disso, outra forma de atividade corporal foi trabalhada: A iniciação ao Le Parkour. Igualmente a dinâmica da ginástica, sabemos que a prática desse esporte exige muito treino e habilidades corporais, mas que a iniciação proporciona um jogo com características lúdicas (Huizinga, 2004) e proporciona um contato inicial com um novo esporte, que poderá ser praticado depois se houver afinidade com a prática. As dificudades e facilidades também aparecem muitas vezes nos surpreendendo, como o salto em quatro gavetas de plinto ou os rolamentos (eu na foto). E são nessas situações que percebemos como nosso corpo sofreu transformações ao longo do tempo, já que rolar ou pular nas brincadeiras de mãe-da-mula eram tão comuns e tão fáceis de serem realizadas e hoje são movimentos vistos com certo temor de serem praticados.
Vídeo Le Parkour

Fazer Le Parkour ou ginástica, mecher e ousar com o corpo traz recordações das habilidades dos jogos infantis (Pieter Brughel), e nesse momento proporciona o prazer de um jogo livre, mas também o esclarecimento de todas as mudanças corporais, porém com novas perspectivas: Praticar, experimentar é maravilhoso, mas também, maravilhoso será proporcionar essas experiências para quem não as conhece e ensinar na nova metodologia da ação.

Bibliografia:
DARIDO, Suraya. Para ensinar educação física: Possibilidades de intervenção na escola. Editora: Papirus, Campinas, 2007, 1º ed., p. 112
HUIZINGA, Johan. Homo Ludens: O jogo como elemento da cultura. Editora: Perspectiva, São Paulo, 2004, 5º ed. 256 p.
BRUEGHEL, Pieter - Obra "Jogos Infantis", 1560

30 de mai. de 2010

PALHAÇOS

Hoje percebo como a vida tem passado sem que eu conheça nada dela. Sujeitar-me a fazer atividades que eu jamais faria se não estivesse nesse curso, me fez refletir e entender que não precisamos levar a vida de forma quadrada, mas compreender que as oportunidades do novo estão a nossa frente...é só querer!
A proposta das vivências, me fez viver algo novo, inusitado e extremamente prazeroso: Fomos as ruas vestidos de palhaços para divertir e quebrar a rotina de todos que circulavam pela avenida naquela noite.
Individualmente acredito que cada um de nós teve percepções e sentimentos diversos e distintos. Uns naturalmente são mais tímidos e sentiram-se mais retraídos com a caracterização, outros como se fosse algo rotineiro, incorporaram o personagem e se jogaram para as ruas. Coletivamente acredito que apesar dos temores, da tensão e até da vergonha inicial, a diversão foi incomparável. Confesso que foi um momento do qual me diverti como criança e senti um prazer inigualável ao ver os sorrisos, o interesse ou uma simples buzinada como forma de reconhecimento daquele simples e amador trabalho de marinheiros de primenira viagem que improvisaram a todo momento para trazer alegria e ludicidade (Huizinha, J. - Homo Ludens) há um dia comum de trabalho.
Mais incrível ainda, foi compreender um pouco dessa relação corporal com os estudos, de forma clara. Primeiramente quiz compreender o porque da relação da nossa vivência corporal com a antopologia. Antropologia é o estudo do homem, mas não é só isso, já que em meados dos século XIX a antropologia deixa de ser um estudo formal, mas propõe aos antropólogos vivenciar, experimentar aquilo que se estudava do homem. Além disso a antropologia estuda o modo de vida, de forma a não julgar as diversidades culturais no sentido de melhor ou pior, mas perceber que a cultura provém da vida, das tradições e que também demonstramos toda essa diversidade cultural através dos nossos corpos que traduzem o que somos. (François Laplantine, 1988 - Livro: Da cultura do corpo - J. Daolio - 2005).
Mauss, também traduziu algumas percepções que tive da nossa experiência. No capítulo "Uma categoria do espírito humano: A noção de pessoa, a nossão do "eu", ele descreve a idéia primitiva da identificação do homem de si mesmo, e uma das formas eram as mascaradas, o personagem. Mauss nos fala de diversos povos com essa prática, que encarnavam ou reencarnavam ancestrais e se personificavam revelando outros seres. Nós quando nos vestimos, nos pintamos, nos mascaramos deixamos momentâneamente (assim como na Austrália - Máscaras temporárias) de sermos nós. Encarnamos personagem, e fizemos coisas que talvés jamais faríamos tendo a nossa postura de nós perante nossa sociedade. O uso da máscara nos leva a incrível dimensão -principalmente nesse caso, palhaços- de nos ridicularizar. A nossa sociedade não permite tais posturas e atitudes corporais no dia-a-dia, mas a mascarada nos remete ao ápice da quebra do paradigma imposto e nos permite utilizar do rídico para atingir o sucesso na personificação. Assim como no exemplo do Mauss, somos indivíduos com pápeis para figurar e juntos atingimos o objetivo do "clã". 
Já no capítulo "As técnicas do corpo", relacionei fatos da nossa vivência que foi uma percepção minha de observação ao que fizemos naquela noite, de como nós e as pessoas reagiam através de seus corpos aos fatos. Mauss afirma que cada sociedade tem suas características próprias e sem dúvida o Brasil tem enraízado na sua cultura a receptividade a coisas alegres. De forma geral, na análise feita, em pouco mais de duas horas de atividades, a maioria das pessoas contribuíram de alguma forma: discretamente através de buzinas nos automóveis, de forma mais distante, ou até interagindo junto e dançando com nós na rua, mostrando tamanha vontade em participar daquele momento.
Mauss também coloca a divisão das técnicas corporais entre os sexos, e observei algo latente em nossa vivência que aconteceu naturalmente. A nossa caracterização aconteceu ali na hora. Todos os integrantes levaram objetos que poderíamos usar, e naturalmente por uma questão social de feminilidade e masculinidade, sem perceber nós meninas nos apossamos dos objetos mais femininos e eles dos mais másculos. Apesar da caracterização e da ridicularização, a idéia de preservar nossa beleza sexual apareceu automaticamente e não nos fez quebrar os paradgimas e inverter os pápeis para atingir talvés uma personificação mais cômica. Além disso, houve momentos de participações e pessoas extra grupo, que no caso foram mulheres, e foi nítido perceber através dos corpos dos meninos que quando haviam essas aproximações por mais que os meninos estivessem dedicados ao trabalho, o desejo da "conquista" indireta falava mais alto, os deixando temporariamente menos envolvido a atividade e principalmente buscando a diminuição do rídiculo e a aproximação com seu eu do cotidiano. Essa observação, provavelmente também valeria para nós meninas, se tivessem sido rapazes ao se aproximar, e isso mostra que na nossa cultura brasileira da qual a conquista é algo tão aberto, diferentemente de outras culturas, nossos corpos se modificam a todo momento de acordo com a situação e explicitando a cultura embutida em nossos corpos.
Mauss também fala das técnicas do corpo de rendimento, do adestramento, da habilidade e adaptação aos movimentos coordenados assim como máquinas. Em todo momento da vivência, apenas um integrante do grupo se dispôs automaticamente a se jogar no chão em diversos momentos, e isso acontece devido ao fato de ele ter um corpo adestrado. Por ser lutador de tae-kwondo, têm toda uma técnica corporal de mais elasticidade e conhecimento, devido ao treinamento, de como saber cair, se jogar, e naturalmente fez isso diversas vezes como a representação de uma cultura corporal individual, enquanto eu e os outros, limitavam-nos a aquilo que nossa memória corporal nos permitia, sendo um pouco mais contidos nos movimentos.
Essa experiência trouxe novas percepções para nossos corpos e uma memória que não se pagará, mas muitas outras vivências foram feitas na classe, e com certeza todas elas berram a nova compreensão e percepção que temos aprendido sobre corpo. Comer comida estranha, ser um cadeirante, dançar com parangolés, vivenciar o mundo circense, entender a vida de um morador de rua, conhecer mais sobre os imigrantes...todas essas foram novas experiências vivenciadas.
Além de tudo isso, essa semana também tive a oportunidade de andar de skate, na iniciação a esportes radicais. Foi algo novo, já que eu nunca havia feito. Experiência que trouxe medo inicialmente, mas prazer logo depois, já que o corpo foi se adaptando e incorporando a adrenalina, trazendo prazer e a troca de experiências, já que algumas pessoas já possuiam as técnicas de como trabalhar com seu corpo para utilizar do skate e compartilhou isso, o que me ajudou a perceber que o corpo se adequa aos instrumentos e busca sempre o objetivo, inclusive para que o próprio corpo não sofra as consequências.
Todas essas experiências que nos tem sido propiciadas e que estamos aproveitando para conhecer, mostra-me que a forma antropológica da experimentação traz uma nova concepção de vida e principalmente de estudo. Como escreve Daolio, é a idéia do "formar-em-ação" e que me remete a junção de tudo que tenho aprendido desde o início de ano compreendendo que a educação física tem que ser "plural", ativa, irreversível, contemporânea. A ciência quântica, quebra a visão cartesiana do homem máquina, fragmentado e a educação antropológica, mostra um corpo livre, inteiro, disposto a entrar em ação desde que a proposta da educação seja quebrar paradigmas e proporcionar o desejo de aprender, da sabedoria e não de jaulas com lousas, cadeiras e cópias...cópias que é repetição e não ação.

Bibliografia:
MAUSS, Marcel - Sociologia e Antropologia. E.P.U, edusp, São Paulo, 1974 - 1º edição.
DAOLIO, Jocimar. Da cultura do corpo. Editora: Papirus, Campinas, 1995, 108 p.

22 de mai. de 2010

Escritores da Liberdade + experiências = sabedoria para a vida.

Ideais, sonhos...o que queremos, o que somos? Deveriam ser perguntas simples de respondermos, mas não são. Compreender a complexidade da vida, do lhe dar com corpos que vivem diferentes situações, compreender o que cada pessoa faz, mesmo que inicialmente pareça errado, enxergar além do superficial. Essas são algumas situações que um professor, ou além disso, um educador tem que viver. Essa semana me foi apresentado, através de um filme baseado em fatos reais, uma história que conta a vivência de uma professora que transforma a vida dos seus alunos, através do mergulho ao desejo de vê-los diferentemente.

O filme "Escritores da Liberdade" retrata toda a dificuldade de lidar com alunos que eram excluídos por toda a direção da escola, pelo sistema, mas também por eles mesmos, já que se consideravam a margem daquela sociedade e encontavam nas gangues uma maneira de serem melhores. Erin Gruwell, a professora, cria estratégias para chamar a atenção dos seus alunos e mostra a eles, que heróis de verdade não são os que matam por brigas de gangues sem sentido, mas aqueles que sobrivem a guerras muito maiores. Partindo desse argumento, atrái a atenção dos alunos e trabalha com a literatura, e leva-os a exposições que mostram as "grandes gangues" da história -como o nazismo- e ensina-os que em guerras, muitos inocentes morrem, sofrem. "O diário de Anne Frank" é um dos livros que a professora apresenta, e também utiliza-se da idéia do diário para conhecer seus alunos. Enxergando sem máscaras a vida real de cada aluno, o interesse de transformá-los vai além, até mesmo sacrificando sua própria vida.
O filme além de impactante, mostra uma perspectiva do quanto a educação de verdade exige interesse daquele que o faz, exige sacrifícios que não são fáceis. Fazer o que Erin Gruwell fez, talvés seja impossível num plano educacional para 100%  dos casos, mas o simples fato de perceber, questionar o que é educação de uma forma geral, e tentar modificá-la saindo de um formato quadrado já seria um passo inicial. Baseado no que foi tratado na ultima postagem, acerca do debate da Viviane Mosé, no Café Filosófico, percebem-se vários pontos em comum, principalmente sair da mecânica e da burocracia da educação. Eu me questiono o que aprendi de fato na escola ao longo de dez anos. Muito pouco ficou gravado, porque muito pouco foi vivido. Hoje compreendo que o que importa não é o quanto o professor vai passar de atividade, de lição, porque copiar um texto da lousa só me fez perder tempo e gastar papél e isso não me faz recordar de nenhum texto que eu tenha escrito, mas quando plantei uma árvore ou debati em sala de aula sobre ética como fiz na matéria de filosofia uma vez já no ultimo ano do ensino médio, são coisas que eu lembro, porque vivi de forma inteira. Sempre fui aluna de média A ou B e quando vejo a vida percebo que tudo o que sei, não foi a escola que me ensinou, mas outras experiências.
A música abaixo mostra esse lado mecânico e pouco promissor da nossa educação tradicional:
Música Estudo Errado - Gabriel O Pensador

Viver... vivenciar, é isso que fazemos a cada dia. Sentir nosso corpo, provar o novo, viver o lúdico, passar vergonha. Dançar country foi novo para mim e para quase todo grupo. Nos caracterizar nesse universo do interior e compreender sua cultura, mas principalmente ver e viver nossos ensaios e a apresentação foi o mais interessante. Assistimos e dançamos vários estilos como forró, anos 60, samba rock, entre outros, vivemos momentos lúdicos, prazerosos, percebemos as diferenças dos corpos ao traduzirem o que sentiam quando dançavam, como a timidez, a desenvoltura, a entrega. Em alguns momentos houve a espontaneidade na imporovisação ou no simples desejo de dançar. Em alguns percebiamos os problemas daquele corpo falarem mais alto, deixando-os mais de lado, em outros víamos a satisfação e a incorporação assumindo aquele corpo que mesmo fadigado, entregava-se ao desejo de dançar. 

Daolio (1995, p.39-40) “O homem, por meio do seu corpo, vai assimilando e se apropriando dos valores, normas e costumes sociais num processo de inCORPOração (a palavra e significativa). Diz-se corretamente que um individuo incorpora algum novo comportamento ao conjunto de seus atos ou uma nova palavra ao seu repertório cognitivo. Mais do que um aprendizado intelectual, o indivíduo adquiri um conteúdo cultural. Em outros termos, o homem aprende a cultura por meio do seu corpo.”. Compreender essa definição do Daolio, é perceber que sugamos tudo o que nosso corpo compreende como importante, somos nossa própria cultura, contamos nossa vida no corpo, nossas marcas, nossas histórias, mas dentre tantas coisas que vivemos dia após dia, nos lembramos apenas das experiências mais marcantes, então cabe a nós compreender e fazer a cada dia com que as coisas comuns se tornem experiências, e para isso temos que ir além e viver, aprender, mas aprender de verdade, experimentar sem medo, brincar, lutar, entender, ter sabedoria e proporcionar sabedoria através do argumento mais simples, desligando as máquinas da rotina, do isolamento e abrindo as jaulas para a liberdade, para a compreensão dos valores, do que importa, para a entrega do viver.

Bibliografia:
DAOLIO, Jocimar. Da cultura do corpo. Editora: Papirus, Campinas, 1995, 108 p.

15 de mai. de 2010

Experimentações: O ínicio

Vivências... Essa foi a palavra da semana, e será ainda de muitas que virão.
Tenho compreendido a cada dia a importância da exploração do corpo. Não sei o que consigo fazer, o que gosto de fazer, desconheço minhas habilidades, mobilidades. A exemplo disso foi a aula de vivências terrestre. Saltitar, sincronizar movimentos -tão naturais do andar- em uma demonstração em câmera lenta de corrida... Movimentos que esquecemos que existe, que deveriam ser tão normais já que é nosso corpo, mas que ganha até sentido bizarro devido a nossa falta de experimentação. Me senti até constrangida ao perceber a dificuldade que tenho de arremesar uma bolinha de meia a uma certa distância para acertar objetos, mas não foi só esse sentimento que valeu, mas também a percepção de que coisas tão simples não são simples para todos, de que talvés aquilo que para mim é insignificante de tão fácil, para outro pode ser complexo e tenso e vice-versa, é a idéia e a reflexão que tudo depende do contexto.
Novas experiências possibilita, em alguns casos, frustração ou prazer, alegria, estranhamento, tensão e também parte disso foi vivido na exposição que fizemos sobre Corpo, Jogo e Luta. A idéia é que pudéssemos compreender dentro de um único tema a junção dos assuntos. Huizinga (2005) no capítulo O Jogo e a Guerra de Homo Ludens, transmitiu o abrir dos olhos para ver o lúdico, o jogo, dentro da vida, inclusive na guerra ou na luta. O índio, tema da encenação, nos levou a essa compreensão. Primeiramente percebemos-o como totalidade de corpo. O índio quinhentista (mais do que o índio do séc. XXI) expirava cultura, estilo de vida. Seu corpo era a demonstração viva de seu todo, sua arte, sua história, sua cultura, assim como hoje na nossa cultura urbana vemos pessoas que se transformam, fazendo tatuagens, piercings, implantes, entre outros, para mostrarem o que são, sua ideologia, assim também os índios representavam em suas pinturas, suas transformações aquilo que era sua vida, sua tribo. Os índios compreendiam sua visão total interligada com a natureza, se enxergando nela e vendo-a sendo ele, o índio estava muito distante da idéia cartesiana, de corpo máquina, matemático (A nova Aliança - Ilya Prigogine e Isabelle Stengérs – 1991), o índio tem em si a liberdade de expressão, a diversidade exposta, o todo não platônico, o todo livre, o todo arte como diz Inês Bogéa no livro Espaço e Corpo de Ivaldo Betazzo "O corpo se comunica por movimentos, sons e palavras que expressam um saber."
A luta também é vista de forma clara na vida do índio, seja a luta idealista, por mantér sua cultura, seja guerreada corpo a corpo, em suas batalhas com o homem branco ou com tribos rivais. A luta do índio é lúdica, é jogo, pois tem as caracteristicas como um local (na tribo, na floresta), tempo, é constituída de uma presença marcante do ritual (pintura, dança, adoração aos deuses), é livre, já que para a cultura indígena antiga ser guerreiro é ser honrado, a luta por ideais concretos (manter sua terra, honra pelos guerreiros, etc), a luta é tensa, é livre. Também percebemos que nesse caso há uma perca de característica lúdica, já que quando também falamos de índios, principalmente da época do descobrimento (exemplo: Tribo Tupinambá), uma caracteristica marcante era a idéia da morte do seu oponente, podendo até ir mais adiante num ritual de antropofagia (Os índios e o Brasil – Mércio Pereira Gomes – 1988, 2º ed. e Hans Staden - Duas Viagens ao Brasil, 1558) do qual além de capturar seu oponente, eram feitos vários rituais e depois ele era morto, esquartejado, e comido por todos membros da tribo, lembrando que esse ritual era feito apenas com oponentes guerreiros e fortes e nunca com um oponente fraco e covarde, já que os índios acreditavam que ao ingeri-lo seu espírito forte passaria a pertencer agora a tribo vencedora. Esse fator da antopofagia, ou apenas da morte, faz com que se perca uma característica lúdica ja que segundo Huizinga, a luta lúdica está ligada algumas vezes ao derramamento de sangue, mas não a morte, já que pode-se atingir a honra sem a morte do oponente.
Maravilhoso não foi apenas compreender e saber aplicar o conteúdo escrito em algo prático, mas também vivenciar a prática. Experimentamos ser índios, nos vestir, nos pintar, interpretar como tal. E eu apesar de não ter encenado como índia, senti tensão em daclamar palavras num contexto teatral, algo que eu nunca havia feito antes. Perceber essa conexão do teórico com a vivência além de ser um aprendizado nos faz crescer, explorar, sentir algo novo.

Apresentação Corpo, Jogo e Luta - Experimentando ser índio

Essa idéia de sentir, de experimentar foi discutido no programa Café Filosófico CPFL, do dia 07/05/2010  (veja o link de acesso ao final da postagem) com Viviane Mosé sobre a "Educação", da qual são feitas diversas percepções do que é a nossa educação hoje, do que são as escolas, do modelo fragmentado do qual limita-se ao umbigo de cada indíviduo produzindo um "ensino" em série, fraco que não experimenta, fechado entre grades e um sistema militarista, tratando como uma linha de produção de uma fábrica, sem notar a singularidade do individuo, mas também sem perceber o todo como um sistema que é conectado, interligado com um mundo lá fora, que também está aqui dentro.

Pink Floyd - Another Brick in the Wall
Que mostra a visão "industrial" da escola, onde os alunos são apenas uns amontoados de carne... Não levando a experiência, tampouco ao aprendizado.

Essa conexão com o mundo pode se dar também através da arte, como a dança que a exemplo do filme "Vem Dançar" proporcionou a integração, transmitindo através do procedimental o melhoramento atitudinal (Suraya Darido - Para Ensinar Educação Física). O comprometimento do professor ensinou muito além de passos de dança, mas conceitos para um melhoramento como cidadãos, proporcionando aos alunos a abertura das portas para uma nova experiência, rompendo os preconceitos e utilizando de estratégias e fundamentação para que houvesse uma aceitação não só dos alunos, mas também um rompimento da barreira burocrática da visão limitada do conselho.
Lidar com educação é mais complexo do que imaginamos, mas tenho aprendido algo fantástico: Mais importante do que ensinar é proporcionar oportunidade do outro buscar, aprender, vivenciar. Nosso mundo contemporâneo não permite mais a passividade, o comodismo. Temos que aprender a utilizar as ferramentas dos avanços tecnológicos a nosso favor, fazendo cada vez mais curiosos, mais ativos ao invés de nos levar a uma passividade depressiva e fragilizante. Mudar não é fácil, experimentar não é fácil, como já citei, pode nos causar tensão, medo e até vergonha, constragimento, mas são essas experiências que nos permitem um conhecimento que vai além das palavras, das teorias, mas um conhecimento sentido no corpo que é a vida!

Link - Trecho do programa Café Filosófico CPFL - Viviane Mosé


9 de mai. de 2010

A exploração do corpo que dança, que brinca, que vive!

Explorar, sentir... liberdade...no corpo, não fazemos!
Perceber a complexidade que somos me traz um espasmo inigualável. Ao assistir ao filme (com um novo olhar) O Homem Bicentenário, percebi por quantas mudanças que o personagem robô interpretado por Robin Williams, chamado por ele mesmo de ISTO, teve que passar para se aproximar do ser humano e não falo do no sentido físico já que não somos apenas carne, mas no sentido de aprendizado, de sentimento, de critatividade, no sentido total como o filme retrata.  Isaac Asimov, criador da idéia do filme, faz ressaltar em Andrew (robô) tudo o que somos e ainda traz uma mensagem fantástica: O explorar. Assistindo depois a vários outros vídeos, passava em minha memória a decadência da qual os próprios profissionais de educação física, que trabalham como o corpo, tratam limitando-o a rendimento, repetições, deixando de lado toda interpretação e toda a profundidade e as mais diversas situações que o nosso corpo pode trazer, seja através da música, da arte, ou da vida. Lembrei-me de uma experiência própria: Sempre gostei da prática de atividades físicas e fiz por um perído da minha infância ginástica olímpica, introduzindo na ginástica artística e por mais belo que fosse, além das dificuldades, não nos expressávamos livremente, já que sempre estávamos presos a coreografias e a perfeição dos movimentos. Mas também há um tempo atras dançava na igreja e diferentemente, eu era livre para criar. Era um jogo lúdico, um ritual de adoração ao meu Deus, uma dança livre de coreografias, de marcações ou de julgamentos de feio ou belo, se havia precisão ou não nos movimentos, mas era apenas uma dança livre que saía da minh'alma, de tudo que sou e acredito. Dançar é uma forma de exploração do corpo todo, e pode ser feito e visto de forma mais livre como eu fazia ou num sentido mais profissional, tão empolgante e transformador quanto. No filme "Vem Dançar", a dança é trazida como um instrumento de transformação social, pois mostra como pessoas que tinham suas vidas dedicadas a rebeldia  e até marginalidade puderam ser transformadas pela arte de dançar, quebrando pré-conceitos de classes sociais e até no sentido de masculinidade, algo que infelizmente é questionado por muitas culturas quando praticados por homens certos tipos de danças.
Perceber o quanto nosso corpo pode demonstrar, se explorado, do que somos é nos conhecer. Com certeza quando eu dançava, ou quando danço ainda mesmo que no meu quarto, o quando canto, sou muito mais eu do que em outras situações, pois são nesses momentos em que tenho a liberdade, a ludicidade e os padrões, os julgamentos são deixados de lado. Quando fizemos os jogos cooperativos essa semana, também nos entregamos a momentos de prazer e liberdade, exigindo do corpo, como eu fiz que de tanto pular corda no dia seguinte sentia meu corpo doer, mas devido ao prazer aquilo tornava-se insignificante.
Não sei dançar com técnica, não sei jogar todas as brincadeiras de modo que vencerei, mas a cada dia aprendo a ver meu corpo de forma toda, a dar valor as menores coisas que faz de mim o que sou. 
Seria gratificante se todos pudessem ser inteiros, e não partes (sistema cartesiano), como mulheres quando apenas são suas bundas, ou homens que são apenas músculos, ou quando não se dança por vergonha de ser julgado, mesmo que de forma errônea, ou quando se deixa de lutar por medo das retaliações. 

Que sejamos livre com o nosso corpo, que exploremos nossa totalidade e que os padrões não nos façam desfalecer sem ter o prazer da ludicidade... como o vídeo abaixo mostra: É uma prisão se ver apenas parcialmente e não na perfeição da essência humana.



1 de mai. de 2010

A guerra lúdica da vida

Ler, explorar, aprender são coisas que a universidade me proporciona todos os dias, mas a letra sem prática muitas vezes torna-se vazia, e poder enxergar os conteúdos na minha vida, ou na história é algo que traz mais clareza, além da beleza de poder ver tudo por um novo olhar, um ângulo que era desconhecido. Esse é o intuíto, e é assim que o Huizinga trabalha nas nossas mentes com seu livro Homo Ludens. A nova leitura do capítulo O Jogo e a Guerra, me fez perceber como o lúdico está presente nas coisas mais diversas, na história, na vida. Imaginar que o jogo lúdico possa ser resumido em uma brincadeira de criança é minimizar uma visão magnífica de que o lúdico está e sempre esteve muito presente.
As guerras e as lutas são marcantes na história, e o Huizinga demonstra características do ludicismo até nesse tipo de atividade. É verdade que é um tanto quanto difícil imaginar inicialmente que uma guerra possa caracterizar um momento lúdico, já que tem uma associação direta com o prazer, mas segundo o autor, o lúdico tem que ser algo espontâneo, e apesar do Brasil ter um alistamento obrigatório, em muitos países há uma manifestação própria, o desejo e a honra por guerrear. A guerra tem um tempo e um espaço definido para sua realização, é um ritual, pois é marcada de juramentos, trocas, benzimentos. É uma atividade séria, tensa e sagrada. Apesar da seriedade há divertimento no meio dela,  entre os guerreiros, quando se conquista a vitória, ou simplesmente quando se pode voltar para casa. Para ser lúdica, a guerra tem que proporcionar igualdades para seu combatentes, no sentido de que antes do jogo não vale a emboscada, a surpresa, como no caso de 11 de setembro, que o jogo começou sem que as pessoas das torres, ou do avião pudessem ter sido preparados para lutar, ou quando um homem bomba se explode em um lugar público sem dar a chance que as pessoas joguem, mesmo que para sua defesa. A guerra lúdica não tem como objetivo a morte, mas sim a honra, mantendo seu adversário vivo. Para ser lúdica, a guerra tem que ser por honra e não por motivos sócio-econômicos. Só que nem sempre a honra corresponde a vitória, pois em muitos casos ela é decidida na sorte, ou por decisões divinas. A guerra nem sempre é jogada por quem está na guerra, pois como num jogo de xadrez, muitos são somente piões, ou mesmo bispos, mas as decisões está nas "maõs" de quem apenas é o estrategista. 
Perceber o ludicismo na guerra, não é vê-la apenas na guerra violenta, mas também na guerra dos nossos direitos, nas revoluções, no judiciário, onde em um tribunal as características lúdicas também estão muito presentes. É perceber a vontade que o corpo tem em lutar, em vencer.
O corpo demontra sua força agonística na luta da vida e não necessariamente na guerra. O nosso corpo é tão todo que guarda e que conta todas as lutas, que se organiza na desordem, já que não é uma máquina programada para matar, mas que consegue absorver todas as dimensões da vida sabendo lutar por honra, viver o lúdico. Se organizar no que é irreversível, no barulho das manifestações da história ou nos pensamentos de quando a cabeça está baixa por problemas da vida. 
Melhor do que só ver o lúdico em uma brincadeira de criança, é viver o lúdico no jogo do adulto, trazendo ao corpo muito mais prazer em tudo...até mesmo nas guerras da vida.

Trecho do filme: A Vida é Bela, onde o pai transforma a guerra do adulto em um jogo de criança!

24 de abr. de 2010

Corpo é o todo!

Corpo: Corpo é carne? corpo é alma? corpo é personalidade? Corpo é máquina?... Não, corpo é tudo! Cofesso que a compreensão ou definição de corpo não é algo simples, apesar de sermos corpo. Pensar no corpo como totalidade não é algo fácil, principalmente quando temos embutido em nossa cultura, características de divisibilidade. Segundo o artigo "A tranformação da visão de corpo na sociedade ocidental" (Júlia Paula Motta de Souza Pinto e Adilson Nascimento de Jesus - 2000), Sócrates e Platão possuiam essa idéia dualista de corpo: Alma é superior ao corpo. Para eles existiam dois mundos, um superior da qual considerava-se o intelecto, a razão a alma, sendo este superior, enquanto inferiormente estava o corpo que padece. A descrição mais próxima deste entendimento é a famosa frase: O corpo é a prisão da alma. Na idade média, a igreja se vale desta idéia dicotômica, já que o corpo é associado a sexualidade, pecado e deve ser preservado íntegro, chegando ao ponto de auto-flagelo. Mas a idéia não é compreender corpo para a igreja, mas perceber a influência de tal na cultura ocidental. René Descartes, apesar da sua luta contra a religião a favor da ciência, não se desfez da idéia dualista, e apesar de coompreender que o corpo está unido a alma, compreende que a alma é superior, afinal ela é indivisível, enquanto o simples corpo é composto de partes, ou seja, é matematizável, é maquina. Essa idéia cartesiana está  implantada ainda na nossa sociedade, apesar de sua visão reducionista. Nós não somos divisíveis, tampouco máquinas, mas sim seres integrais que vive, pensa, absorve, observa. A Dr. Margarida Gaspar de Matos, no livro Corpo, Movimento & Sociedade (1994) nos fala que mesmo gêmeos monozigotos (idênticos) não são as mesmas pessoas, porque não são máquinas que possuem a mesma "casca" e a mesma função, mas sim são corpos cheios de personalidade, que refletem tudo que são, que aprenderam.
Compreender essa visão de todo, nos fez utilizar de uma arte marcial que foi vista de duas formas: Como esporte, compreendendo sua história e suas caraterísticas, mas também como um ideal de totalidade. A cultura oriental, tem entre suas caracteristicas a percepção de igualdade, não havendo separação entre corpo, alma ou qualquer outra coisa, mas apenas percebendo que tanto uma dimensão suprema (eterna) ou histórica (nasce-morre) tem importância equivalentes. A luta do taekwondo, apesar de ter em muito dos seus movimentos, treinamento, fatores mecanicistas, possue em seu ideal um benefício sem separações, que se for apenas visto como luta (movimentos de perna e braço) não coompreende a essência do ser (Yeo Jin Kin - Arte Marcial Coreana), pois o corpo adquire percepções que sempre estão atreladas ao todo.
"Nós que aqui estamos, por vós esperamos" é um documentário fantástico, que nos remete a uma condição de pensamento sobre tudo que é ser. O corpo é parte da história, alguns com "mais" importância, outros com "menos", mas pensar que o universo é sempre uma corrente ligada, que cada atitude ou história refletirá num futuro talvéz nos transporte para uma dimensão mais inteira da nossa função de existirmos.
Pensar na técnologia, no que temos hoje, ou no que teve meu pai, por exemplo, que trabalhou com os primeiros computadores, no Banco do Comércio, na década de 80 onde ele conta que eram do tamanho de uma sala e hoje eu tenho um portátil, sem fio, que carrego o dia inteiro e que me conecta com o mundo. Ver essa evolução dos corpos que nos tráz uma visão de superioridade, de rapidez, também nos leva a perceber que o preço da modernidade é a desestruturação humana. O corpo não é uma máquina, o mundo não é singular, perceber a importância e o todo, a manifestação corporal, a exploração e a liberdade de expressão é vida. Cada um conta sua essência, conta sua história, e a deixa para que os vivos a conheçam, mesmo aqueles que nunca tiveram acesso a essa "ascenção" ocidental.

Índios - Manifestações do corpo que é total, que é arte, história, cultura, é vida!

Os jogos cooperativos, é uma prática que mostra um pouco de vários fatores lúdicos e corporais (o todo). Compreender o seu significado e sua importância social é fundamental. Apesar de parecer uma discussão atual, Orlick nos fala que é uma prática milenar “começou há milhares de anos, quando membros das comunidades tribais se uniam para celebrar a vida" (Orlick, apud Brotto, 2002, p. 47). Não era uma competição, mas um apoio, uma troca cultural, da qual as práticas de tal tribo indígenas era demonstradas em jogos, expondo toda sua força e beleza através da pesca, das danças, das artes. Os jogos cooperativos ganhou uma importância maior nos anos 50 através dos estudos de Ted Lentz nos estados Unidos e no Brasil através de Fábio Otuzi Botto. Para Orlick, que é um grande nome dos jogos cooperativos a idéia era: “O objetivo primordial dos jogos cooperativos é criar oportunidades para o aprendizado cooperativo e a interação cooperativa prazerosa" (1989 p. 123). Além disso, esse autor tem a visão de mudar o fator vitória-derrota, para vitória-vitória. Brotto, também pensava que o principal era a idéia da não exclusão, onde tudo pudesse ser adaptado para que todos participassem.

Jogos cooperativos - Nossa aula

Brincamos, jogamos cooperativamente, nos conhecemos...essa foi algumas das sensações que tive ao pôr em prática parte do que tinha aprendido sobre os jogos. Mas compreendo que ali o meu corpo se manifestou, a minha vida foi alterada e preenchida com mais uma coisa que agora faz parte do corpo Evelin.

17 de abr. de 2010

Paixões: Esporte e Jogo lúdico

Esporte e Jogo... É assim que aprendi a defini-los hoje. Logicamente estão interligados em muitos fatores, um nasce do outro, são parecidos mas não iguais como eu pensava. Há algumas caracteristicas que os distinguem, como que o esporte possuí equipamentos, campos profissionais, técnica, treinadores, estrutura, torcidas, mídia, dinheiro, entre outras, e o jogo é o inverso, pois é livre, improvisado, sem fins lucratrivos, sem federações e sem regras impostas de fora, é o "gosto porque gosto" (Giovanina G. de Freitas Olivier). Além disso, o esporte passa por outras áreas, como a psicologia (Psicologia do esporte - Afonso Antônio Machado), medicina, o jornalismo, enfim, pois o esporte de auto rendimento, mobiliza profissionais e também torcedores. O esporte é algo que está imbutido na nossa cultura, principalmente o futebol, como descreve a letra do vídeo abaixo, com a famosa música do grupo skank - "É uma partida de futebol"


A letra mostra todo envolvimento que o esporte tráz as pessoas, principalmente em grandes competições como a Copa do mundo, ou as Olimpíadas. Ademir Gebara no livro Esporte, história e sociedade, nos diz que desde 1896, as Olimpíadas tinha o intuíto de promover espetáculos de massas e é o que vemos hoje. As lutas, por exemplo, podem não ser tão populares, mas como esporte de alto rendimento, mobiliza e trás consigo praticantes que são treinados para vencer. O Taekwondo, a Esgrima, o Boxe, são constituídos de técnicas, fundamentos e muito brilho e dinheiro como no caso do Boxe.
Perceber toda a mobilização do esporte, e tudo o que ele faz para a sociedade de forma benéfica é válido, porém existe o questionamento de alguns estudiosos, quando toda essa força da mídia e os valores são embutidos na sociedade e principalmente na educação de forma duvidosa. Valter Bracht no texto "A criança que pratica esporte respeita as regras do jogo...Capitalista", coloca esses fatores em questão. Pelo esporte ser uma profissão, ele exige técnica, logo competência e essa rigidez é tranferida para as práticas esportivas infantis que deveriam ser mais brincadeiras do que exigências. Bracht levanta questões como que as regras impostas são aceitas sem questionamentos, por medo de exclusão, além das questões sociais, aonde geralmente a predominância da burguesia (na maioria dos esportes) prevalece, já que há mais possibilidades. A busca incondicional da vitória, além da questão de ver o outro sempre como adversário, como diz Liana Abrãao, no livro Lúdico, educação e educação física (Nelson C. Marcellino - 2003) "...questão de que os mais fortes têm vez e suprimem os mais fracos. O outro é sempre adversário, inimigo a quem tem que se vencer, pois apenas um só será o vencedor, e o outro o derrotado. Na competição tem que se 'jogar contra e nunca jogar com'...". Apesar da visão do jogo lúdico, como associação ao ócio, estudiosos (Huizinga, Winnicott, Piaget, Chateau, entre outros) não deixam de ressaltar sua importância, lembrando que ele pode fazer parte de atividades sérias, como a escola, e principalmente que é fundamental para a humanização, já que é repleto que características humanas, traços que máquinas não fazem como diz Miriam Moreira de Mello que é o "...brincar, o simular, o divertir-se...; quando essas particularidades desaparecem, o homem perde marcas fundamentais da sua singularidade".
Existe espaço na sociedade para tudo, como coloca Tubino, ao classificar esporte de performance (auto-rendimento), participação (lazer) e educação, porém é preciso encontrar espaço para ambos, e saber distinguir quando O VENCER ultrapassa não só as quatro linhas, mais sim a civilidade, estando acima de qualquer coisa. Quando a competição torna-se o êxtase da vida, mas nem sempre tendo o discernimento de que perder faz parte. Imbutir o luducismo na sociedade, na educação, traz o entendimento de cooperação, da exploração e do divertimento, por tras da aprendizagem. Mauro Betti, escreve:
" O esporte como lúdico precisaria ser aprendido ou reaprendido e os espaços sociais para tal precisariam ser preservados e/ou criados. Essa conclusão traz implícita uma valorização: reconhecer a possibilidade de realização no esporte de outros valores que não os da cultura esportiva hegemônica. Não apenas o rendimento máximo do superatleta, mas o ótimo das pessoas comuns...; não somente dinheiro e medalhas como recompensa, mas também o prazer intríseco de participar; não só rivalidade, mas cooperação no confronto com outro ser humano."
Isso define a idéia...ambos são ótimos, mas suas ferramentas precisam ser compreendidas.

Entre os Muros da Escola

Assistir ao filme "Entre os muros da escola", me levou além dos problemas e das dificuldades que passam os professores, no caso do filme, em uma escola do subúrbio francês, mas eu vivenciei momentos até mais tensos do que o filme mostra. Até a 7º série do ensino fundamental, eu estudava em um colégio municipal do meu bairro, mas como ele era apenas até a 8º série, resolvi mudar para outro colégio, já para cursar o ensino médio. Fui para um colégio estadual no município de Santo André, até bem conceituado. O que eu não podia imaginar é que a direção da escola naquele ano resolvera montar uma sala chamada multiseriada, da qual eles colocaram todos os alunos problemáticos, repetentes e novatos (já que eram desconhecidos). Eu nunca fui de me envolver em problemas, sempre fui do tipo mais estudiosa, mas isso não impediu de eu visualizar cenas de tensão, como discusões violentas entre professores e alunos, carteiras sendo atiradas do 2º andar na quadra para atingirem a professora de educação física, entre outras muitas coisas que aconteceram. No resumo da história. houve três alunos expulsos, mais três ou quatro repetentes, alguns desistentes. Eu passei de ano e fui transferida de sala, juntamente com outros alunos de bom desempenho. A direção da escola resolveu acabar com esse projeto, pois perceberam que talvés a junção não era o melhor a se fazer. Hoje, tenho uma visão diferente do que na época, da qual via muitos deles como marginais, mas penso que de fato a solução não era juntar todos e dá-los um tratamento diferenciado, pois apesar das inúmeras dificuldades, cada um tinha um problema e uma história de vida por de trás de suas atitudes, tanto que tive o previlégio de ver um deles se formando.
Alguns deles, depois no próximo ano, acabaram se tornando meus amigos, e foi  nesse momento que eu pude ver que muitos deles, que eram pixadores, precisavam expressar seus pensamentos idealizadores. Eles demonstravam grande respeito pelos pais e pelos professores, quando não eram tratados de forma grosseira, mas sim respeitosa.
"Entre os muros da escola" é real, na França, no Brasil e talvéz em muitos países do mundo. E não tenho dúvida das dificuldades que um educador passa, pois a linha é tênue. Saber até que ponto a imposição, a ordem gera retorno, ou o tratamento amigável, "liberal"? Hoje entendo que a visão militarista, mecânica, generalizada como foi feito com a minha turma, da qual tudo foi classificado como "farinha do mesmo saco" sem dúvida está longe de ser o ideal, já que somos pessoas diferentes, com necessidades, que só a aproximação fará com que seja percebido de fato a nossa essência, os nossos medos, e os nossos sonhos.
No filme, para essa aproximação é pedido um auto-retrato e é isso que farei, para talvéz todos que lerem essa postagem, conhecerem um pouco mais da Evelin.

Auto-Retrato

Me chamo Evelin Luizi Farabotti, tenho 20 anos. Me considero uma pessoa comum, não tenho grandes altos e baixos.
Trabalho com vendas e sempre gostei de trabalhar, pois considero que é uma maneira de adquirir um crescimento pessoal. Comecei aos 15 anos, por vontade própria e sempre gostei de ter uma vida ativa, sem grandes dependências. Não gosto muito da rotina, apesar de ser inevitável. Sempre gostei de ler e estudar, ainda bem, pois talvéz isso esteja ajudando nesse início de faculdade.
A faculdade sempre foi um sonho, e o curso eu escolhi a mais ou menos uns sete anos atráz. Nunca tive dúvidas, pois sempre imaginei que não há nada melhor do que trabalhar com as pessoas, mas não necessariamente vendendo coisas, como faço hoje, mas sim ensinando, transformando se possível. Hoje sei que fiz a escolha certa, porque apesar de ser totalmente diferente do que eu imaginava, é muito mais rico, e tem como ideologia coisas que acredito.
Moro com meus pais, e posso dizer com certeza que são minha maior riqueza. Não tenho apenas um pai e uma mãe, mais sim dois grandes espelhos e amigos e que estão sempre comigo. Tenho um único irmão, mais velho e já casado e o amo muito também, além da minha cunhada, que não poderia ser outra, ela é a irmã que nunca tive. Tudo isso que sempre tive, e tenho dentro de casa, é muito do que sou.
Há uma única coisa que está acima de tudo que citei até agora: Deus. Ele é a minha força, meu tudo. Está dentro da minha religião - protestante - , mas nunca pode ser limitado a ela, pois o meu Deus é grande demais para ser visto de forma tão pequena,  pois o caminho que escolhi não é religião, mas um estilo de vida.
Sou séria, mas sei ser bricalhona. Anciosa, preocupada, mas leal. Amo incondicionalmente, quebro a cara, guardo meus segredos...tenhos sonhos e muitos sonhos. Constituir minha família é um deles, ser mãe tambem. Amo meus amigos, gosto de música, boas músicas, gosto de dançar, de viajar, de experimentar...de viver.
Para a vida eu espero ser feliz e depois da morte... Só a eternidade.



10 de abr. de 2010

Experiências!!!

Parangolés - Hélio Oiticica

Enxergar a arte fora da arte sendo arte. Parece estranho não? Mas foi isso que eu fiz na exposição do artista Hélio Oiticica - Museu é o mundo. Tive o grande previlégio de saber que havia uma exposição, que não deveria ser chamada de tal forma, já que quase tudo não  resumia-se em exposição, mas sim em experimentação. Entrar dentro de caixas, tocar piano, vestir panos e criar moda, essas são apenas algumas das muitas obras do Hélio, da qual eu pude usufruir. Essa arte, que tem seu contexto histórico, seus significados artísticos, sua revolução, ganhou novos significados e comparações, já que a idéia era perceber através da arte, propriedades de uma outra arte: A educação física.
Na obra do Hélio Oiticica percebe-se logo de cara o sentido revolucionário, aonde o artista quebra o paradigma de apenas não fazer obras através de quadros fixos na parede, mas enxerga a arte no mundo, na arquitetura, nas coisa simples, como a terra no chão, dando-nos a oportunidades de sentí-la, de interagir. E a educação física também é interação, já que uma aula não se faz sozinha. A participação, o interesse deve ser a chave, já que tudo que é apenas expositivo, da qual um manda e todos obedecem, torna-se algo mecânico, ultrapassado, assim como a ciência tradicional, que foi "substituída" por uma nova maneira de ver o mundo e a natureza, de forma dinâmica, irreversível (A Nova Aliança - Ilya Prigogine / Isabelle Stengers). Perceber uma arte questionadora, também me faz ver uma educação física mais questionadora, que tem a intenção de sair do comum e isso é o que o artista nos proporciona através de uma exposição totalmente lúdica, da qual me fez brincar, livremente, com regras próprias, e acabou, teve um tempo, mas poderá ser feito novamente, e era sério, até tenso - pela proposta de avaliação -, mas foi belo, e é belo (baseado nas características lúdica de Huizinga, Johan - Homo Ludens). Perceber como os sentidos são postos em jogo, como o toque a água, ou o próprio corpo interagindo com os paragolés, como vi  novas visões, criatividade - mesmos materiais produzindo diversas obras, como areia pedras etc -, tudo de fato que faz parte daquilo que tenho aprendido que é educação física, como o improviso em jogos usando tampinhas de garrafa como peões no tabuleiro de damas, ou na própria metodologia de ensino, como através do vídeo-game, ou da recreação aquática lúdica (Atividades Aquáticas - Cláudia Alexandre Queiroz, 1998).
Acredito que esse novo conceito de tentar perceber aquilo que aprendo, através de outras coisas como a arte - nesse caso - é gratificante, pois é o início do entendimento que sai das linhas do caderno, para ser vista no mundo. E o nosso corpo (que não é só físico) é parte desse mundo da arte, da educação física, já que pelo início desse assunto, e através da visita ao laboratório de anatomia, ficou claro uma coisa: geralmente caímos no erro de dividir o ser humano em matéria (músculo, osso, gorduras, etc), mente e espiríto, sendo que nós como corpo devemos ser compreendido como junção de todos os aspectos: Biológico, Psicológico e social. somos uma coisa só, pois é impossível desassociar algum problema psicológico, já que ele gera consequências no nosso fisico, assim como nosso físico interfere em questões sociais, ou o social interfere no nosso psicológico, enfim. No vídeo abaixo, veremos uma interpretação artística, através da dança e da letra da música, que faz essa associação:


Ao ver corpos mortos, se degenerando aos poucos (devido ao formol), peças soltas, como membros e vísceras, percebi e pude ver na prática fatores biológicos, mas com certeza, é inadimissível pensar que a educação física se limita apenas ao físico, que mesmo que em vida, não é o todo do corpo e sim parte dele. É necessário sim conhecer fatores biológicos, mas todo o restante que nos move, que faz com que tenhamos vida e de fato é corpo, e corpo inteiro. 

3 de abr. de 2010

O mundo mágico do vídeo game

Quem diria que o video game pode ser uma ferramenta de ensino?
Confesso que sempre gostei de jogar video game, mas nunca o vi como um instrumento de conhecimento, inclusive devido ao grande massacre da mídia sobre jogos eletrônicos.
Logicamente há um certo exagero hoje em dia, da qual o video game é o passatempo preferido de crianças e adolescentes, e têm se perdido muito da essência dos jogos clássicos, como aqueles vistos no quadro de Pieter Brueghel (amarelinha, mãe-da-mula, pular corda, cinco marias, entre outras), mas também não podemos desconsiderar que a tecnologia é algo cada vez mais presente na nossa cultura, e ainda mais nas novas gerações, que desde muito cedo já têm acesso em massa a tecnologia em geral. Com isso, cabe a nós sabermos utilizar essa ferramenta em benefício, não vendo apenas como um todo ruim, mas percebendo o quão positivo ele pode ser no desenvolvimento das crianças e até dos adultos.
Os jogos eletrônicos nos transporta para um universo fictício, mas não deixa de ser uma demostração fiel da realidade.
A exemplo disso, podemos falar das olimpíadas. Muitos dos esportes olímpicos estão muito distantes do nosso alcance de praticá-los e podemos aprender sobre eles enquanto estão sendo transmitidos na televisão (na época dos jogos), mas no video game, temos a oportunidade de jogá-los, o que faz com que tudo fique muito mais emocionante. Logicamente temos que aprender as regras, para que se alcance êxito no jogo e isso colabora com outros aspectos positivos como a dimensão conceitual (Darido, Suraya), que é quando passamos a compreender um pouco da história do esporte, suas regras, como jogá-lo, enfim.
Além disso, podemos considerar que contribuí para a dimensão procedimental, pois apesar de que no video game não praticamos o esporte em si, mas muitas vezes ele desperta o interesse para que aquele jogador assíduo de determinado jogo, por exemplo o tênis, tenha a vontade de praticá-lo de verdade, buscando assim a prática de uma atividade física além dos benefícios na dimensão atitudinal, que faz com que se adquira através da prática esportiva valores importantes de comportamento, de caráter, que desemboca automaticamente em cidadãos melhores.
Com certeza o vídeo game é uma forma de lazer, entretenimento, mas depois da experiência que tive, pude aprender também sobre esportes que não tenho acesso, como o futebol americano, que não é tão presente no Brasil, e ao jogá-lo aprendi um pouco de suas regras, além dos cenários que são ilustrações da realidade, mas que nos trazem um pouquinho das culturas e das paisagens mundo a fora, como no caso dos esportes de inverno (gelo).
É através dessas percepções, que compreendemos que talvés a proibição militar, não seja a melhor saída. A vida é dinâmica e exige de nós essa flexibilidade para tranformar o que talvés seja "ruim" em benefícios para nós e para todos os que querem e precisam aprender.

27 de mar. de 2010

A ciência da vida

Eu, como uma admiradora de esportes, gosto de assistir, ouvir, ler tudo que posso relacionado aos esportes, principalmente ao futebol que apesar de eu não saber jogar, sempre gostei muito de acompanhar. Mas são em competições como as Olímpiadas, que eu e milhares de pessoas temos a oportunidade de conhecermos esportes que não vemos com frequência, ou até mesmo que nem temos conhecimento de como é praticado. Devido a grande repercussão, esses esportes passam a fazer parte, pelo menos temporariamente, do nosso interesse, da nossa torcida e muitas vezes isso proporciona que o esporte seja alavancado para uma posição de maior interesse, quando por exemplo, temos atletas brasileiros campeões.
As olimpíadas são grandiosas, competitivas, de rendimento. Mas apesar de não haver ligações diretas com o cooperativo, o esporte de participação ou educação, devido ao seu alto nível técnico e profissional, no decorrer da história agregou muitas coisas as sociedades e aos indivíduos.
Nas apresentações sobre os jogos, eu pude ver toda estrutura das olimpíadas antigas na Grécia, o intuíto religioso, a adoração aos deuses, os mitos, eram o centro das olimpíadas. Com o decorrer do tempo, já na era moderna, as olimpíadas foi totalmente modificada no sentido de que esse intuíto religioso dava lugar a outros interesses como políticos (guerra fria), mas também nascia a luta das mulheres pela sua participação, o icentivo a prática de atividades físicas na escola. Depois de um tempo o nascimento das paraolimpíadas que teve inicialmente o intuíto de integrar os mutilados das guerras, iniciando com apenas 16 participante e hoje tornou-se tão grande quanto os jogos tradicionais, e faz um papel maravilhoso de inclusão social, e é a vida para muitos atletas que retomaram sua auto estima através da opotunidade de ser um atleta.
O vídeo abaixo, é uma pequena demostração que toda a vontade de um médico alemão chamado Ludwig Guttmann, para dar início aos jogos para deficientes em 1948 , é refletido hoje em uma grande competição que só existe graças a  iniciativa desse grande visionário.



E além dessa, ainda temos as olimpíadas de inverno, que como recentemente aconteceram, é mais uma extensão de todo o percurso dos jogos que começaram em 776 a.c e refletem atualmente como parte de uma visão que apesar dos seus pontos negativos, como todo interesse político, têm e traz para as sociedades e para os indíviduos melhorias que eu espero que possa ser cada vez mais latente, já que em 2016 teremos os jogos olimpícos no Brasil e eu estarei formada e espero poder ver de dentro toda uma melhoria não somente estrutural, em prédios e equipamentos, mas uma melhoria cultural que trará benefícios na raiz da sociedade. Eu espero poder contribuir para que as pessoas entendam que por tráz do mundo competitivo dos jogos, possam haver mais questionamentos, mais cooperação, mais entendimento do que realmente o esporte é, e de que ele provém dos jogos lúdicos que todos nós fizemos um dia sem compromisso, simplesmente por diversão.

É notável que esse esporte de auto rendimento tem um lugar presente nas escolas, mas é preciso criar estratégias para diminuir essa intensidade, fazendo com que o lúdico esteja presente, com que o preconceito de certas práticas acabe, como por exemplo, se houver o entendimento que a ginática para os meninos pode ser importante se eles vierem a praticar um esporte que exija flexibilidade.
O esporte, diferentemente do jogo lúdico, está cercado de vários fatores como a mídia, a organização, a indústria do esporte, a cultura, enfim. E eu posso ver um desses fatores na minha vida, como no caso cultural. O esporte muitas vezes é tradição em países, como o basquete nos Estados Unidos e o futebol no Brasil, e eu sofri uma grande influência do meu pai, que vêm desde meu avô, a respeito do futebol. Sou torcedora assídua do Corinthians e pude ver isso passando na minha família de geração em geração, o que prova que o esporte ganha seu território também através dessa passagem cultural.

Foto: Eu e meu irmão no jogo de futebol



E com certeza, os filhos do meu irmão, e os meus também serão torcedores, já que além de toda a repercussão do futebol no Brasil, temos essa paixão dentro da nossa casa. Mas logicamente até lá eu espero poder conhecer muitos outros esportes, para passar a todos o quão benéfico o esporte ou o jogo pode ser, assim como já passei a gostar do xadrez, que até três meses atrás nunca havia feito parte da minha vida.
Mas além dessa divisão do Tubino a respeito dos esportes de rendimento, educação ou lazer temos o lado atitudinal, conceitual e procedimental (Darido, Suraya). É muito interessante perceber que o esporte não é somente procedimento como estamos acostumados a ver, mas também existe o conceito, o porque daquela prática, a história, as regras, a busca do entendimento do procedimento que fazemos sem questionar. E ainda as atitudes, a postura do atleta, do profissional.

Agora, todas essas questões que envolvem os esportes, os jogos, as visões, tudo isso é ou não ciência?
Entendi que não. A educação física, é o estudo de várias ciências como a fisiologia, a biologia, enfim, mas ela não faz ciência, e sim estuda essas ciências.
Esse fator de que a educação física tende compreender e se aprofundar em muitas ciências, faz dela uma atividade bastante complexa, já que o ser humano (objeto de estudo da educação física) não pode ser visto apenas como um ser parcial, por exemplo, como musculatura. O ser humano também tem seu lado social e piscológico e não pode ser visto como uma máquina.
A ciência clássica (Descartes, Newton, entre outros) era mecanizada, abrangente e compreendia a natureza como leis matemática, mecanizadas universais. Tudo era reversível, hierarquicamente correto, tudo era causa e efeito, era estável.
O vídeo abaixo (parte do filme Tempos Modernos com Charlie Chaplin), é uma demostração de como a visão do mecanicismo, que não enxerga as particularidades, que faz de tudo por causa e efeito não pode ser aplicada ao ser humano.



Mas a "nova ciência" (a partir da termodinâmica, relatividade - Einsten, e outros), passa a quebrar esses paradigmas, mostrando que as coisas são irreversíveis, pois uma vez feito, já gerou consequências. Ela é instável, não linear, enxerga as particularidades, ou seja, na minha concepção ela corresponde a educação física de forma mais coerente. Logicamente o método mecanizado ainda é muito presente nas aulas de educação física. Nas escolas, sempre há uma generalização, um método mecanizado de ensino, como por exemplo, todos têm que correr, ou todos tem que jogar vôlei. Na academia eu vivi esse método mecânico no sentido de que não importa quem fosse o aluno, mas todos tinham que fazer um alongamento padrão e talvés houvesse pessoas com necessidades diferentes uma das outras. 
Logicamente que tentar  mudar esses conceitos, não é tão simples já que boa parte da nossa cultura vive nesse método da ciência antiga (que foi fantástica, descobrindo e nos deixando muitas coisas), mas que é linear, enquanto a vida está muito distante desse conceito.